sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Cookies and Tea

A Tempestade, William Shakespeare

a tempestade

Depois de ser destronado pelo próprio irmão, Próspero é deixado para morrer no mar num frágil barquinho junto com sua filha, Miranda. Mas os dois conseguem se salvar e passam a viver nessa ilha desabitada, onde Próspero adquire certos poderes. Anos depois, a vingança o chama a desencadear uma tempestade que naufraga o navio onde seus traidores se encontravam e que os faz acabar também na ilha. Com a ajuda do espírito Ariel, Próspero dá continuidade à sua vingança, que não é daquelas sanguinárias de novela das 9, que fique claro. Apesar de envolver uma tempestade, não infringe grandes danos às vítimas, é mais um jogo psicológico e, no final, o perdão e a compreensão prevalecem.

Além de Ariel, Próspero também “controla” Calibán, seu servo deformado. Esses personagens podem lhe ser conhecidos, leitor. Eu lhe digo o por que. Ariel e Calibán foram usados por Álvares de Azevêdo, poeta romântico brasileiro, pra representar as duas personalidades que ele assume em seu Lira dos Vinte Anos. Ariel é a parte conformada e obediente e Calibán, o desaforo e a rebeldia; assim o poeta personificou a dualidade romântica.

Voltando ao livro… também tem romance! Miranda se apaixona (e é correspondida) por Fernando, filho de um dos traidores de seu pai. Como não poderia ser diferente, esse amor é perfeito e idealizado. Na segunda vez que se vêem Miranda e Fernando já juram amor eterno, mas da forma mais bonita e inspirada, através da escrita de Shakespeare. Essa lenda morta consegue transformar uma sentença comum sobre uma ação cotidiana em uma bela dança de palavras e metáforas tão agradáveis que lhe fazem lê-las e relê-las até que se façam inesquecíveis.

A Tempestade não é a melhor obra de Shakespeare, mas sendo dele, é muito melhor que muitas por aí. Escrita em 1611, foi a sua última peça e vai pros cinemas pelas mãos da diretora de Across the Universe em algum momento desse ano.

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