sábado, 27 de abril de 2013

"God Bless America"

Eu não sei porque ainda me espanto com a estupidez norte-americana, porque, vamos combinar, existem poucas coisas mais recorrentes do que ela. Mas ficou tão comum, todo dia na mídia, que a maioria nem se importa mais. Isso quando percebem, porque a imprensa poderosa não ajuda nem um pouco a esclarecer nada. 

Eu não costumo assistir a TV, muito menos a Globo, por isso não posso dizer com certeza, mas, do pouco que vi sobre o atentado na maratona de Boston, que aconteceu no dia 15 desse mês, senti muita falta de explicações mais claras sobre o que aconteceu com os suspeitos. Basicamente o que se ouve falar é da super equipada, infalível e nobre caçada das forças policiais norte-americanas pelo suspeito ainda vivo, Dzhokhar Tsarnaev. 


Ontem aconteceu de eu ver uma matéria sobre o Twitter de Dzhokhar, que a inteligência americana havia descoberto e analisado. Corri e fui procurar, para tirar minhas próprias conclusões. Acontece que ele só falava de dormir, da faculdade, de dormir, de garotas e de drogas, com algumas piadas de mal gosto aqui e ali. Ele tava estudando pra ser dentista. Sério, acho que 70% de tudo que ele falava era que tava morrendo de sono e como dormir é bom. Fiquei abismada com as cotidianices e continuei lendo acho que até os tweets publicados em novembro do ano passado. Ele era até engraçado. Um tweet de dois dias depois do atentado foi: "I'm a stress free kind of guy" ("Sou o tipo de cara livre de stress").

Os amigos dele todos ficaram surpresos e só querem ouvir sua versão da história. Um deles inclusive, afirmou que não via Dzhokhar ficando com raiva de alguém, muito menos machucando alguém. Mas isso não se vê na mídia maniqueísta. Eu não estou aqui querendo defender os suspeitos, de maneira nenhuma. Acho que alguém que prepara bombas e as coloca em um lugar público, com certeza tem a intenção de machucar alguém e deve ser penalizado por isso. No dia do atentado, Dzhokhar escreveu um tweet em que dizia: "Ain't no love in the heart of the city, stay safe people." ("Não há amor no coração da cidade, fiquem seguros, pessoal.") 

Mas, logo que ele foi capturado eu pensei, "coitado, ficaria melhor se tivesse morrido com o irmão". Porque as forças policiais americanas são capazes de absolutamente tudo, coisas que ninguém fica sabendo, às vezes. Esse artigo da The New Yorker (que deveria ser lido por todos) diz muita coisa sobre a cultura de percepção norte-americana. Ele faz uma comparação, e imagina como essa história teria sido muito diferente se o atentado tivesse sido feito com armas de fogo. Nele, o autor John Cassidy diz (tradução minha):

"Coloque em um lugar público duas bombas rústicas artesanais, que parecem ter sido feitas com uma receita tirada da internet e o estado fará de você o Inimigo Público Número Um. Para assegurar que você seja pego e punido, virtualmente não há limites para as autoridades. (...) Uma vez pego, eles vão lhe interrogar no seu leito de hospital sem antes ler os seus direitos legais e depois lhe acusar de usar armas de destruição em massa. Se você não nasceu nesse país, haverá ainda conversas sobre mudanças nas leis de imigração."


Faltou falar das centenas de disparos feitos contra o esconderijo do suspeito (quando ele não portava se quer uma arma) que ainda não foram explicados. De novo, não estou, e John Cassidy também não, querendo defender os dois irmãos suspeitos. Apenas seria pertinente que as autoridades norte-americanas prestassem atenção no que estão fazendo e colocassem essa força imensa que é usada quando é de interesse deles em questões que, mesmo depois de Dzhokhar Tsarnaev ser julgado e condenado à pena de morte, ainda persistirão, como o controle do uso das armas de fogo.

O pior é que o pensamento da população anda de mãos dadas com essas ações. Só de ver as pessoas soltando ameaças a Deus e ao mundo e a festança que fizeram quando o último suspeito foi pego... é risível. A superioridade inunda a cabeça deles. Tudo isso pode ser definido por um comentário numa publicação no site do Washington Post com fotos do dia da captura (tradução e grifos meus): "Agora, todo o mundo sabe por quê os Estados Unidos da America é a terra dos livres e a casa dos bravos. Obrigada a toda a força policial, particularmente a polícia de Boston, o FBI, a CIA e os bravos bostonenses pela sua bravura em capturar o suspeito lunático. Esta é uma poderosa mensagem para al-Qaida e seus afiliados extremistas, que vocês irão ser capturados e trazidos à justiça. Deus abençoe a América."

Oi? 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Minhas Férias

 

"Get on your dancing shoes, you sexy little swine!"

Hoje tem.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Meme das biscats (mais conhecido como I would!)

Então, esse foi um meme criado (ou recriado) pela Carol do RGB e o nome original é "10 famosos que eu daria". Eu decidi dar uma embelezada no meu blog (isso não se faz com layout, e sim com fotos bonitas, aprenda) e passar essa corrente tão maravilhosa e abençoada adiante. As regras são simples: 10 famosos com quem você faria um tico-tico-no-fubá, uma foto de cada, e o por quê. Já se animou? Vem gent!


DOUGIE POYNTER: Quem me conhece sabe que essa pessoinha é o meu one and only. Ele nem é tão alto e nem musculoso, mas me quebra de um jeito... loiro, LINDO, tatuado, engraçado e lindo mais uma vez. Eu casava sem nem pensar duas vezes, até minha mãe já abençoou nossa união. Meu lema é: Do me Dougie style.


ASHTON KUTCHER: Precisa-se mesmo, realmente, dizer mais alguma coisa quando se olha para esses olhos castanhos lindos e esse sorriso de 'não quero posar pra foto, mas pra não ser grosso vou fazer uma carinha simpatchica'. Você não nos engana, Ashton! Por baixo dessa carinha tem um poder imenso, ai. Não é à toa que a Demi ficou malzona depois que foi chutada, porque néan, quero ver ela achar outro desse, ainda mais nessa idade.


JAMES LAFFERTY: Gato, vem fazer um garrafão em mim (eu podia fazer um trocadilho com 'enterrada', mas achei que ia ficar muito vulgar, oi?). O boy joga basquete, apenas isso. Honestamente, vou querer mais o quê?


JENSEN ACKLES: Tem que dar explicação? É, também acho que não precisa.


JOSEPH GORDON-LEVITT: Ele é inteligente, ele é um ator incrível, ele é bonzinho, ele canta, é lindo e tem cara de ser daqueles com um papo legal infinito que não acaba nunca. E se você ainda não se convenceu, dá uma olhada nessa foto. Oi, gente, tudo bem com vocês depois dessa?


STEPHEN AMELL: Só mesmo com uma coisa dessas como protagonista para aguentar assistir Arrow além do terceiro episódio, viu? Ô seriezinha ruim! Mas quem precisa prestar atenção em roteiro e personagens secundários with all this going on bem na sua frente? Eu não.


ALEX TURNER: Ai, Alex eu já gostei muito mais de você, quando você não era tão cheio de si. MAAAS, a carne é fraca e eu neeem me importo! Gato + cara de safado: bingo! Imagina uma coisa dessas cantando no seu ouvido com aquela voz maravilhosa: "The type of kisses where teeth collide..."


ALEXANDER SKARSGARD: Para quem não conhece, eu tenho o prazer de apresentar esse deus nórdico de apenas 1,94m (UM METRO E NOVENTA E QUATRO CENTÍMETROS) de pura sedução e testosterona. Olha o tamanho dessas pernas. Apenas isso. Clique aqui para um curso básico ministrado por Alex de como engravidar uma mulher em 15 segundos.


JAKE GYLLENHAAL: Como não amar Jakezinho? Os olhos azuis, esse sorriso maravilhoso, esse corpitchu... ai, ai. Ele é um dos pouquíssimos homens com muitos pelos no peito que eu faria. O que são uns pelinhos a mais quando se pode ganhar tudo isso, não é meshmo?


RYAN GOSLING: Oi? Não tem o que dizer. É mais forte que eu. É só ele me olhar que my body is ready.


[BÔNUS]

Eu fiquei tão emocionada com tantos boyss magias que fiz as contas erradas e separei 11 ao invés de 10 caras que eu faria. Mas tenho certeza que ninguém vai ficar triste com mais um, né? E eu não vou estar desperdiçando foto de boys não.


JÁN DURICA: Não, apesar de parecer, não é um novo galã de Hollywood. Se você não sabe quem é, precisa prestar mais atenção aos jogos que rolam durante as Copas do Mundo, queridinha! Ou, se for o caso, precisa prestar atenção ao que realmente importa nos jogos das Copas: os jogadoreeeeees. Este aí é um eslovaco esperto que dá o ar da sua graça nas competições mundiais. Para mim foi o jogador mais belo e bem apessoado da última Copa. Quando falo dele ninguém sabe do que eu tô falando, mas o seu nome estará gravado na minha memória para sempre. Beijo, Ján! MWAH!

terça-feira, 16 de abril de 2013

A história que a Morte contou


"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler." Eu parei. E fico muito feliz com isso. Descobri que a morte é uma contadora de histórias magnífica, capaz de se sensibilizar com a humanidade de uma forma bem própria - distante e caridosa. Deve ser porque ela tem experiência com a raça humana; a conhece tão bem porque a encontra cara-a-cara exatamente em seu momento mais vulnerável e descoberto. 

Vai ver é por isso que ela é tão sensível. Principalmente às cores. A narradora de A menina que roubava livros começa deixando clara a obtusidade das pessoas, que se negam a prestar atenção aos detalhes. De acordo com a Morte, as pessoas só "observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa". São poucas as pessoas que podem se agarram às coisas importantes da vida, sem deixar que as coisas não tão boas as suguem. A Morte se indigna com isso, pois até ela que não tem descanso é capaz de se revitalizar através de pedaços de histórias.

Ela, que vive para o trabalho e não tira férias, é uma narradora pertinente para uma história que se passa nos arredores da II Guerra Mundial. Dentre várias fábulas humanas que conhece, a ceifadora resolve nos contar uma que muito chamou sua atenção: a da menina Liesel Meminger. Uma alemãzinha que se vê levada até uma rua desconhecida, para morara com pais adotivos desconhecidos, em pleno ano de 1940, depois que sua mãe não tem mais condições de cuidar dela. Em sua nova casa, na Rua Himmel, Liesel encontra um pai que toca acordeão, uma mãe cujas palavras preferidas são saumensch (s.f.) e saukerl (s.m.), uma amizade de cabelos cor de limão, um judeu de cabelos de pena que vive em seu porão e uma biblioteca abastada onde pratica seu vício secreto: o furto de livros. 

O olhar da Morte caiu sobre Liesel pela atenção da menina para com os detalhes. Ela podia descrever (com precisão, nuances e a posição das nuvens) o céu para o seu amigo judeu que vivia no escuro do porão. Mesmo com o ambiente árido que a Guerra trazia consigo de limitações, horrores e marchas de judeus para campos de concentração, Liesel era capaz de se agarrar à vida avidamente, através dos grandes detalhes positivos. Um deles um amor que nasceu e foi crescendo tão naturalmente e sem aviso que no final já tinha passado por tanto e tudo que era real sem ter acontecido. 

O autor Markus Zusak é um contador de histórias tão bom quanto a Morte e suas palavras são brilhantemente costuradas. Ele usa os sentidos e as sensações como instrumentos de construção do mundo de Liesel. Ao ler é possível sentir, cheirar, ver, degustar. É possível cheirar com os olhos e ver com a boca. Num trecho em que discorre sobre o judeu no porão, é possível ler: "Só havia comido o gosto fétido de seu próprio hálito faminto (...)". Não acho que alguém mais é capaz de descrever a fome tão intensamente, com uma única frase. 

Ao nos fazer sentir através das palavras, Markus nos prova empiricamente que estava certo ao defender, no livro, o poder que as palavras têm. O Führer sabia muito bem como administrar as palavras, ele cresceu e chegou ao topo por causa delas. Moveu milhares de pessoas com seu discurso. Com o perdão da metáfora usada por Zusak, Hitler plantou as palavras-sementes em campos imensos, as regou e esperou que florescessem. Mas, ao mesmo tempo, as palavras salvaram Liesel. Ela as agarrou com toda a força que tinha e elas lhe deram esperança de um jeito que nada mais podia. A menina que roubava livros entendeu que as palavras podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal. Eram tão agridoces quanto sua vida, e ela as amava e odiava com a mesma intensidade.  

quinta-feira, 11 de abril de 2013

You're so lucky!


Renato, eu e Camila arrasani!
Não existem muitos shows de bandas estrangeiras na minha cidade. Agora é que Recife tá começando a entrar no circuito de shows bafônicos. (Apesar de que eu fui pra shows da minhas bandas preferidas na minha linda cidade: RBD em 2006 e McFly em 2009 - yeah, these are my favorite bands, deal with it.) Também já teve Jason Mraz, Jack Johnson, Black Eyed Peas, Iron Maden e Elton John. Pensando bem está bem adiantado o bagulho. 

Mas tem uns arrependimentos que eu sinto por não ter ido para certos shows por puro desleixo. Tipo o de Amy Winehouse que teve aqui e eu não fui, logo depois ela morreu. Nunca mais a verei ao vivo, triste. Paul McCartney também veio e eu não fui, tive que ficar aguentando todo mundo comentando o quanto o show foi MA-RA-VI-LHO-SO.

Então, quando saiu a notícia de que Franz fucking Ferdinand iria aportar aqui eu não pestanejei e comprei logo o ingresso. Mesmo sem ter ninguém pra ir comigo. Mesmo só tendo escutado os dois primeiros álbuns deles e sem saber todas as músicas decoradas. Mesmo sem ter escutado eles há um tempo. Por vários dias fiquei implorando a todos que conheço para alguém ir comigo. Nada. 

Já faz um tempo que decidi não esperar por ninguém para ir a lugar nenhum. Aprendi que dá muito mais futuro, e não se perde nada com isso, pelo contrário, se ganha. Já deixei passar muita coisa por falta de companhia. I'll tell you what: não mais. Antes só do que nunca. Então decidi não vender meu ingresso e esperar que aparecesse alguém, por mais desconhecido, pra ir comigo. Do contrário, eu iria sozinha.

Até que, tchanram!, aparece Renato, recém-chegado de Portugal e de ingresso comprado! Posso falar, eu não poderia ter arranjado companhia melhor. Assisti ao show com ele e uma amiga dele, Camila. E foi awesome (não existe palavra em português que se compare a essa e que não seja palavrão)! Mesmo eles tocando muitas músicas do CD que nem saiu ainda e que eu não conhecia, eu pulei tanto, suei tanto, dancei tanto e gritei tanto que fiquei rouca. Acho, acho não, tenho certeza, que quando uma banda é boa, ela é boa mesmo quando você não sabe todas as músicas de cor. Isso não importa quando se pode dançar, gritar e se divertir com pessoas legais.

Mesmo sem isso, a parte em que eles cantaram Do You Want To já valeu os 100 dinheiros que eu paguei pelo ingresso.

Foto: Katherine Coutinho/G1

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A menina, a câmera e o guarda-roupa #15









 Vestido: Mainha Fez
Colar: emprestado da minha tia
Sapato: Arezzo (tem bem uns três anos)

Nesse momento minha cabeça está um emaranhado de sentimentos e ideias e suposições e tristezas e alegrias. A adolescência ainda deve estar em mim. Tenho uma vida maravilhosa: estudo na Universidade que todos querem, tenho casa, pais, família e amigos que amo, tenho um estágio, saio de vez em quando, fico em casa quando quero, não trabalho muito, não preciso sustentar família, posso juntar dinheiro pra viajar, enfim. Tudo o que eu desejaria e poderia pedir.

Mas, às vezes, me cai o sentimento que falta alguma coisa e a ansiedade me consome. Talvez pode ser até falta de problemas, como diria minha mãe. Está chegando o dia (que eu pensava e desejava que estivesse muito longe ainda) de acabar a faculdade e eu simplesmente não sei o que fazer. Meus planos de adiar isso por mais um ano parece que não vão vingar e eu vou ter que me redimir ao bom e velho TCC (que não tenho nem tema ainda, vale ressaltar). Mas isso é o de menos. O de mais é o que eu vou fazer quando acabar a faculdade. Não quero morrer de trabalhar, nem quero morrer de tédio fazendo uma coisa que não tenho vontade, mesmo que o dinheiro seja bom. Minha vontade mais urgente é mesmo abrir uma barraca de sucos em uma praia na Austrália e viver entre os surfistas de bem com a vida e com a natureza, fechando o negócio às 18h pra ainda dar tempo de dar um mergulho no mar.

Mas, ao mesmo tempo, eu sei o que eu quero, apesar de saber que não existe aqui perto de mim. O estranho é perceber que isso não me deixa pra baixo. A história de uma pessoa a milhares de quilômetros de mim me fez perceber que tudo chega, você pode ser o que quiser se persistir naquilo em que acredita. Vendo que Carrie conseguiu o que tanto sonhou depois de ficar muito tempo em um limbo, sem esperanças e sem saber o que fazer, me faz perceber que, mesmo que eu não veja agora, tudo o que eu quero pode estar muito perto de mim. E mesmo que esteja longe, se eu esticar o braço com toda a força e a vontade que eu tenho, posso alcançá-lo eventualmente.

terça-feira, 19 de março de 2013

Lisa e Monsieur Tempo


Lisa  achava que suas amigas estavam crescendo rápido demais. Enquanto ela continuava desejando e gostando das mesmas coisas, as outras passaram a se importar mais com coisas diferentes, coisas de adulto. E ela não havia percebido isso até agora.

Rita, Cláudia e Aurélia se preocupavam tanto e tão intensamente, que Lisa se perguntava se não era ela a errada por não levar tudo tão à sério. Era um corre-corre, um "não posso agora" insistente. Lisa se perdia. Não conseguia mais o contato, outrora tão fácil. 

Até mesmo as conversas eram difíceis na vida de Lisa. Ela lembrava com inveja do seu eu de tempos atrás, que ficava leve de risadas com as amigas não-adultas, quando trocavam bobagens sem sentido depois da aula. Agora todas têm trabalho, todas têm aulas extras, todas têm cansaço, todas querem ir pra casa.

Nada de lamches divididos, nada de tempos tranquilos, nada de cabanas feitas com lençóis.

Lisa entendeu que o Monsieur Tempo é bem mais forte que ela e pode levar quem quiser com ele. Monsieur Tempo já tem suas amigas bem comportadas debaixo de suas asas. Lisa se deu conta de que a única coisa que Monsieur Tempo não pode levar embora é ela própria.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cinema em casa (DIY)

Tem um móvel uó em casa? Acha a sua sala de TV bem qualquer coisa? Seus amigos não se sentem à vontade quando você os chama para lhe visitar? Seus problemas acabaram! Chegou a super recauchutagem, toda feita com materiais que você acha na sua humilde residência! 

Minha mãe queria mudar o móvel da TV, mas eu queria algo diferente da mesmice de sempre. Fiquei pensando por uns dias. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que nós quase não usamos essa televisão para assistir à programação das emissores, ela serve mais para DVDs (filmes, em sua maioria). Então peguei  um balde de tinta vermelha, algumas edições da extinta revista CRASH e voilá!, móvel lindo e novinho. Eu gostei muito do resultado, realmente a sala ficou mais alegre.

Abaixo explico como fiz isso, sem muitos detalhes, até porque não é tão difícil.

Obs: as fotos (exceto a última) foram tiradas com meu celular (que não é smartphone) e, por isso, não estão numa altíssima qualidade. (Porque eu tava com preguiça de pegar a câmera/não sabia onde tava.)

Esse era o móvel original, bem sem gracinha.
Tivemos que lixar ele todo para a tinta pegar melhor.

Máscara para não morrer com o cheiro fortíssimo da tinta. #tôlinda #cindy


Depois de, acho que, dois dias de trabalho, enfim terminei de pintar. Dei duas de mão.
A parte mais divertida: recortar as revistas! Tem fotos de vários filmes, do terror à comédia romântica. Mas só filmes, séries ficaram de fora.
Colamos com cola branca mesmo.
Primeiro as maiores fotos, e em seguida as menores, bem juntinhas, sem deixar nenhum espaço em branco.  (Não pintei a porta de propósito porque ia colar as figuras.)
Depois das figuras todas coladas, a última parte é passar cola branca por cima de tudo para fixar. Não tenha medo, Lingüini não vai ficar branco para sempre. Pode passar a cola sem medo que quando ela seca fica transparente.
Tive uma ajudinha do meu primo Caio nessa parte.
A primeira ideia era passar verniz, mas aqui em casa só tinha para madeira e se eu passasse ia ficar tudo marrom. Então certifique-se de que o seu seja transparente.
Tchanraaam!
(Sim, eu ainda tenho um video-cassete. E ele funciona.)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Não tá fácil pra ninguém



Comecei a assistir a mais um seriado de mulherzinha. Esse talvez o mais conhecido e reverenciado seriado de mulherzinha da história, apesar de ser original e direto (ou talvez por isso mesmo). Desde 1998, quando foi lançada, Sex and the City mostrou - se é que alguém tinha dúvidas disso - que mulheres também falam sobre sexo, e não é pouco, não. 

Mas o que importa, e o que me chamou a escrever, é que a cidade de Carrie Bradshaw poderia muito bem ser Recife. A identificação foi bruta e imediata. Em cada fala do episódio piloto eu consegui encontrar paralelos com a minha vida e com a vida de recifenses que eu conheço. Quatro tópicos são os que mais chamam a atenção para a crueldade da vida em uma metrópole (NY ou Recife, your choice). 

1) Muitas mulheres lindas e interessantes solteiras
“Há milhares, talvez dezenas de milhares de mulheres assim nessa cidade. Todas nós as conhecemos e concordamos que elas são ótimas. E todas estão sozinhas.” Pois é, Carrie, aqui em Recife não é diferente. É só andar pelas ruas, pelos restaurantes, pelos shoppings e até pelas baladas, o que mais se encontra são grupos de amigas se divertindo, sem homens por perto. O que não é ruim!, não me entenda mal, mas um boy magia é sempre bom, não é verdade? No entanto eu posso enumerar várias, várias mulheres que eu conheço que são lindas, fofas e criativas, porém solteiríssimas.
“É como o enigma da esfinge. Por que há tantas mulheres solteiras e nenhum homem solteiro?” Eu tenho que concordar com você, todos os bons partidos estão comprometidos. E só as fortes e sortudas conseguem agarrar um desses no pequeníssimo hiato em que eles se encontram disponíveis, entre um relacionamento e outro. Eu não sei em Manhattan, mas aqui em Recife existe um motivo simples e triste para isso tudo. Tá faltando homem. De acordo com dados do IBGE, entre os 20 e os 29 anos de idade, amiga, há 12 mil mulheres há mais que homens. E quanto mais se aumenta a idade, mais a diferença aumenta. Agora você pode passar essa informação na cara das tias que sempre perguntam “cadê o namorado”.

2) A fênix
Essa categoria de boy deve existir em todas as cidades do mundo, mas em Recife, querida amiga Carrie, a situação se agrava. Como todos os recifenses sabem, a cidade é um ovo. Todo mundo conhece todo mundo, principalmente porque as mesmas pessoas vão sempre para os mesmos lugares. E isso é praticamente um criadouro de fênix. Aqueles seres mitológicos que, por mais que você tente, por mais que você diga que não sente mais nada e que xingue até a terceira geração do indivíduo, de repente ele reaparece mais lindo e tentador do que nunca. “Não olhe agora. A cruz da sua vida está no bar. Eu não tenho paciência para aguentar seus lamentos por ele pela quarta vez.” Quem noonca ouviu isso de alguma amiga? Com certeza não foi só você, Carrie.

3) Príncipes não existem (William já casou e Harry não é flor que se cheire)
Pegando carona no tópico anterior, é perfeitamente claro que ninguém é perfeito e a vida é assim. Temos que aprender a levar foras e levantar como se nada tivesse acontecido, porque nem sempre os boys estão disponíveis/lhe querem. E apesar de não haver (de jeito nenhum) tantos peixes no mar assim, sempre se arranja um jeito. Se eu fosse você, ouviria sua amiga Miranda: “O cara certo é uma ilusão! Comece a viver sua vida!” Então, gatã, vá viver/fazer o que gosta e não o que outra pessoa que nem liga pra você está vivendo/fazendo. (Esse tópico ficou bem trabalhado na conselheira, mas conselho nunca é demais.)

4) As gay amam mais
Não é só você que tem amigo gay, Carrie. Não é só você que vive rodeada de casais gays. Nós em Recife também. Seu amigo Stan tem razão: “Estou começando a achar que o único lugar onde ainda se pode achar amor e romance em Nova York é na comunidade gay. O amor hetero é que se tornou enrustido.” Stan, agora você recebe palmas de uma aluna do CAC. Porque há muito mais partidões gays do que héteros. As coisas seriam tão, tão mais fáceis se gays também gostassem de mulheres. Eu tenho certeza que haveria muito menos mulheres solteiras em Recife.


Essas coincidências (ou não) servem para lembrar que você, Carrie Bradshaw, não está sozinha nessa luta! Existem muitas outras meninas inteligentes e de boa índole dando sopa por aí, inclusive em outros países e outras realidades. Só não lhe digo que tem um Mr. Big no seu futuro porque aí seria spoiler.