quinta-feira, 11 de setembro de 2014

G

I still catch myself thinking about you sometimes. The things we imagined and never got the chance to do. The things you promised me. The things you said you were going to do to me and the things I thought of doing to you.
I catch myself remembering we chated for hours and into the night without never seeing each other faces in the flesh. And this feeling we had something so awesome only gets stronger and more intense because even though I've talked (read this word in its real meaning, nothing more) with others after you it was never so spontaneous and funny and so so easy like it was with you. And to remember this it makes these other chats seem only tough and boring. I have to put so much effort into them. And I would love for them to work, these other experiences, but there is always something missing. And I miss it. I miss you and your silly and easy laugh. I miss knowing what you're doing.
Sometimes I just want to ask you how you are. I wish I could do that without sounding desperate or needy. I want to know if you're sick or if your flu finally went away. But I've been trying to keep in mind this is not my (or our) reality anymore. Maybe it never were.
Whatever it was it's just fading. It was just all these expectations soaring over my head. When I squished your "no" out of you it all started to fade. In such a difficult and frustrating way. I keep trying to reach these memories before they are too gone. I wanted you to know all this and I just know you won't because I'm not the one who will send you these words.
Above all I'm grateful for I have known you and have gotten to live that with you (or with myself). I know you are a really really wonderful person. That coming from someone who knew only maybe 20% of your true self. I just want you to be the happiest you can. I'm pretty sure the person you choose to be by your side, to laugh, talk, live and love, will be a really lucky one.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

never apologize for how you feel.

Nos últimos dias eu tenho vivido em uma montanha russa. Com altos tão altos (altos para mim, mesmo que não tão altos assim para outras pessoas) que deixaram minha cabeça tonta, sem muita noção do resto do mundo ao meu redor. Uma montanha russa que se movia ao redor de uma pessoa. Uma pessoa que eu nem cheguei a conhecer (poderia colocar um ‘ainda’ aqui, mas não vou para não me alimentar de esperanças).

Eram conversas intermináveis sobre tudo e sobre o que poderíamos ser e eu estou quase chorando enquanto digito isso. Pode parecer estúpido e ingênuo, mas eu aprendi a não subestimar meus sentimentos; pois se eu sinto, é real. E me dói ter que me livrar de um sentimento que só quer o bem, o meu e o de outra pessoa. Pra mim não faz sentido pensar que é um sentimento ruim, só por não ser correspondido. Eu convivi com isso minha vida toda, e sei que só não é bom para mim, mas isso no final, quando a ficha cai e eu me dou conta. De que estava vivendo isso sozinha, na minha cabeça. De que ninguém me acompanhava nessa viagem num trem sem maquinista. Ou onde o maquinista era manuseado pelos meus desejos mais fortes e antigos.

Mas enquanto eu vivia essa viagem, de imagens e conversas, era tudo lindo de uma forma que eu nunca vivenciei. E de uma forma que me fazia querer mais, mais do que eu nunca tive e sempre desejei. As portas se abriam quando você falava da sua casa e de como seria bom quando a gente se encontrasse. E era tudo tão sincero, a gente ria tanto e tanto e de tudo, como ‘tbcds’, como você diria.

Mas a minha ansiedade é tanta que eu fico só imaginando, e a minha imaginação me mata. Já me matou outras vezes, e está me matando de novo. E eu posso estar sendo dramática, pode ser que nem tenha acabado ainda. Mas não aguento que você (que ninguém na verdade, mas esses dias principalmente você) não me responda, enquanto te vejo online no whatsapp. Acabei de retirar a configuração de última visualização do meu, para parar com essa mania psicótica de olhar o último momento que você estava lá, para parar de fingir o mínimo de consciência sobre a sua vida.

Porque eu meio que cansei. Cansei de me sentir sozinha, mas cansei também de me sentir sozinha junto. Acho que esse é o pior. E acho que fico melhor sozinha sem ser junto mesmo. Mesmo que ache que seríamos melhores ainda se juntos. Mas juntos de verdade. E não só nas altas horas da noite, pelo celular. Isso não me basta de jeito nenhum. Isso é só um adendo a uma coisa que deveria ser maior.

Eu realmente gosto de tu, como já te disse, idiota que sou. Te desejo tudo de melhor e não guardo rancor. Acho que vou te deixar ir. E é engraçado porque uns dois dias atrás eu tinha decidido exatamente o oposto, que não ia deixar você ir embora tão fácil assim. Mas eu não posso mudar o que não está ao meu alcance.

E eu sei que esse discurso só vai durar até a próxima vez que você vier falar comigo com o seu “OLAR” infantil.


Mas por agora eu me sinto melhor. Depois de colocar tudo pra fora de uma forma que eu consigo, de uma forma que eu me faço entender. Esse é o lado bom: mesmo que eu nunca arrume ninguém, e morra sozinha com minha barraca de sucos na praia, eu sempre vou ter a escrita para nela me apoiar. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Se é amor transborda

É tanto amor pra dar que não cabe em mim. Tenho que colocar pra fora. Faço isso de bom grado e com uma alegria que só o ato de servir é capaz de trazer. Não é como se eu conseguisse manter esse amor recluso dentro de mim, ele tem que sair. De outro modo, explodo em uma crise de nervosismo e ansiedade. Sou um ser social, apesar de não ser sociável. Mas no meu cerne está a convivência e a servidão para com os meus. 

Triste é ver as pessoas encararem, hoje em dia, a pura e simples servidão amorosa com estranheza. Isso vem a cada dia mais me assustando. Ninguém mais faz nada sem esperar retribuição. 

Posso dizer que faço não por me sentir superior, mas por não conhecer outro caminho. Esse é o meu caminho dos tijolos amarelos e por mais que ele me espanque, me decepcione e tire até sangue e felicidade de mim às vezes, eu estou atrelada a ele desde que nasci. Não consigo viver a indiferença, viver com indiferença. Não consigo não procurar saber, não insistir para um encontro, não ligar, não me doar. Não consigo não fazer tudo que está ao meu alcance para ver um sorriso no rosto dos meus amigos e amigas. 

E se, pelos acasos da vida, um amigo ou amiga perde esse sorriso eu não fico em paz. É como um cuco dentro da minha cabeça, que me lembra a intervalos regulares que uma parte de mim não está bem. Eu não consigo conviver com uma parte de mim doente desse jeito. Porque cada pessoa que me é cara é sim uma parte de mim. Uma parte indissociável de mim.  

Eu tenho que ir lá e fazer o que posso pra chamar de volta o sorriso que me acalma. Acaba sendo uma coisa meio egoísta. Mas se todos os egoísmos passassem pela servidão espontânea, acho que estaríamos muito melhores. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

how it is

"which having sought in vain among the tins now one now another in obedience to the wish the image of the moment which when weary of seeking thus I could promise myself to seek again a little later when less weary a little less or try and banish from my thoughts saying true true think no more about it"

Eu fui ler Becket pra ver se parava de confundir ele com Brecht e me deparei com esse parágrafo, que é basicamente o que eu tô sentindo agora.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Histórico de leitura: A Guerra dos Tronos


Outro dia tava vendo o meu Skoob e esbarrei nos comentários que fiz durante a leitura de A Guerra dos Tronos, da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Achei bem legais; fiquei com aquela sensação engraçada de não ter sido eu que escrevi. E triste porque parei quando as coisas ficaram boas. 

47% (274 de 587)
"No começo eu gostava de Tyrion só um pouquinho, agora não mais. Não acredito em uma vírgula do que Lorde Baelish diz. Catelyn e Eddard são um amor."

51% (300 de 587)
"Eu adoro quando o ponto de vista é o de Sansa. Ela é diferente de todos, porque ela não vê a verdade, menos do que todos, por mais que esteja na cara dela. E ela é tão sonhadora; o capítulo do Torneio da Mão é fantástico - com todo o peso que essa palavra carrega. Acho que nenhum dos outros personagens poderia descrever o torneio com mais propriedade, e ao mesmo tempo com tanta ingenuidade. Porque o modo que ela vê o torneio é mais ou menos o modo que nós, habitantes do século XXI, e até a plebe do livro, vê o torneio."

64% (377 de 587)
"Arya não poderia ser mais diferente da irmã. Ela é uma fofa, corajosa e leal. Syrio Forel para Arya: 'O coração mente e a cabeça usa truques conosco, mas os olhos veem a verdade. Olhe com os olhos. Ouça com os ouvidos. Saboreie com a boca. Cheire com o nariz. Sinta com a pele. É então, depois, que chega o tempo de pensar e de, assim, conhecer a verdade.'"

67% (391 de 587)
"Acho que agora começam as batalhas."

sábado, 27 de abril de 2013

"God Bless America"

Eu não sei porque ainda me espanto com a estupidez norte-americana, porque, vamos combinar, existem poucas coisas mais recorrentes do que ela. Mas ficou tão comum, todo dia na mídia, que a maioria nem se importa mais. Isso quando percebem, porque a imprensa poderosa não ajuda nem um pouco a esclarecer nada. 

Eu não costumo assistir a TV, muito menos a Globo, por isso não posso dizer com certeza, mas, do pouco que vi sobre o atentado na maratona de Boston, que aconteceu no dia 15 desse mês, senti muita falta de explicações mais claras sobre o que aconteceu com os suspeitos. Basicamente o que se ouve falar é da super equipada, infalível e nobre caçada das forças policiais norte-americanas pelo suspeito ainda vivo, Dzhokhar Tsarnaev. 

Ontem aconteceu de eu ver uma matéria sobre o Twitter de Dzhokhar, que a inteligência americana havia descoberto e analisado. Corri e fui procurar, para tirar minhas próprias conclusões. Acontece que ele só falava de dormir, da faculdade, de dormir, de garotas e de drogas, com algumas piadas de mal gosto aqui e ali. Ele tava estudando pra ser dentista. Sério, acho que 70% de tudo que ele falava era que tava morrendo de sono e como dormir é bom. Fiquei abismada com as cotidianices e continuei lendo acho que até os tweets publicados em novembro do ano passado. Ele era até engraçado. Um tweet de dois dias depois do atentado foi: "I'm a stress free kind of guy" ("Sou o tipo de cara livre de stress").

Os amigos dele todos ficaram surpresos e só querem ouvir sua versão da história. Um deles inclusive, afirmou que não via Dzhokhar ficando com raiva de alguém, muito menos machucando alguém. Mas isso não se vê na mídia maniqueísta. Eu não estou aqui querendo defender os suspeitos, de maneira nenhuma. Acho que alguém que prepara bombas e as coloca em um lugar público, com certeza tem a intenção de machucar alguém e deve ser penalizado por isso. No dia do atentado, Dzhokhar escreveu um tweet em que dizia: "Ain't no love in the heart of the city, stay safe people." ("Não há amor no coração da cidade, fiquem seguros, pessoal.") 

Mas, logo que ele foi capturado eu pensei, "coitado, ficaria melhor se tivesse morrido com o irmão". Porque as forças policiais americanas são capazes de absolutamente tudo, coisas que ninguém fica sabendo, às vezes. Esse artigo da The New Yorker (que deveria ser lido por todos) diz muita coisa sobre a cultura de percepção norte-americana. Ele faz uma comparação, e imagina como essa história teria sido muito diferente se o atentado tivesse sido feito com armas de fogo. Nele, o autor John Cassidy diz (tradução minha):

"Coloque em um lugar público duas bombas rústicas artesanais, que parecem ter sido feitas com uma receita tirada da internet e o estado fará de você o Inimigo Público Número Um. Para assegurar que você seja pego e punido, virtualmente não há limites para as autoridades. (...) Uma vez pego, eles vão lhe interrogar no seu leito de hospital sem antes ler os seus direitos legais e depois lhe acusar de usar armas de destruição em massa. Se você não nasceu nesse país, haverá ainda conversas sobre mudanças nas leis de imigração."

Faltou falar das centenas de disparos feitos contra o esconderijo do suspeito (quando ele não portava se quer uma arma) que ainda não foram explicados. De novo, não estou, e John Cassidy também não, querendo defender os dois irmãos suspeitos. Apenas seria pertinente que as autoridades norte-americanas prestassem atenção no que estão fazendo e colocassem essa força imensa que é usada quando é de interesse deles em questões que, mesmo depois de Dzhokhar Tsarnaev ser julgado e condenado à pena de morte, ainda persistirão, como o controle do uso das armas de fogo.

O pior é que o pensamento da população anda de mãos dadas com essas ações. Só de ver as pessoas soltando ameaças a Deus e ao mundo e a festança que fizeram quando o último suspeito foi pego... é risível. A superioridade inunda a cabeça deles. Tudo isso pode ser definido por um comentário numa publicação no site do Washington Post com fotos do dia da captura (tradução e grifos meus): "Agora, todo o mundo sabe por quê os Estados Unidos da America é a terra dos livres e a casa dos bravos. Obrigada a toda a força policial, particularmente a polícia de Boston, o FBI, a CIA e os bravos bostonenses pela sua bravura em capturar o suspeito lunático. Esta é uma poderosa mensagem para al-Qaida e seus afiliados extremistas, que vocês irão ser capturados e trazidos à justiça. Deus abençoe a América."

Oi? 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Minhas Férias

 

"Get on your dancing shoes, you sexy little swine!"

Hoje tem.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Meme das biscats (mais conhecido como I would!)

Então, esse foi um meme criado (ou recriado) pela Carol do RGB e o nome original é "10 famosos que eu daria". Eu decidi dar uma embelezada no meu blog (isso não se faz com layout, e sim com fotos bonitas, aprenda) e passar essa corrente tão maravilhosa e abençoada adiante. As regras são simples: 10 famosos com quem você faria um tico-tico-no-fubá, uma foto de cada, e o por quê. Já se animou? Vem gent!


DOUGIE POYNTER: Quem me conhece sabe que essa pessoinha é o meu one and only. Ele nem é tão alto e nem musculoso, mas me quebra de um jeito... loiro, LINDO, tatuado, engraçado e lindo mais uma vez. Eu casava sem nem pensar duas vezes, até minha mãe já abençoou nossa união. Meu lema é: Do me Dougie style.


ASHTON KUTCHER: Precisa-se mesmo, realmente, dizer mais alguma coisa quando se olha para esses olhos castanhos lindos e esse sorriso de 'não quero posar pra foto, mas pra não ser grosso vou fazer uma carinha simpatchica'. Você não nos engana, Ashton! Por baixo dessa carinha tem um poder imenso, ai. Não é à toa que a Demi ficou malzona depois que foi chutada, porque néan, quero ver ela achar outro desse, ainda mais nessa idade.


JAMES LAFFERTY: Gato, vem fazer um garrafão em mim (eu podia fazer um trocadilho com 'enterrada', mas achei que ia ficar muito vulgar, oi?). O boy joga basquete, apenas isso. Honestamente, vou querer mais o quê?


JENSEN ACKLES: Tem que dar explicação? É, também acho que não precisa.


JOSEPH GORDON-LEVITT: Ele é inteligente, ele é um ator incrível, ele é bonzinho, ele canta, é lindo e tem cara de ser daqueles com um papo legal infinito que não acaba nunca. E se você ainda não se convenceu, dá uma olhada nessa foto. Oi, gente, tudo bem com vocês depois dessa?


STEPHEN AMELL: Só mesmo com uma coisa dessas como protagonista para aguentar assistir Arrow além do terceiro episódio, viu? Ô seriezinha ruim! Mas quem precisa prestar atenção em roteiro e personagens secundários with all this going on bem na sua frente? Eu não.


ALEX TURNER: Ai, Alex eu já gostei muito mais de você, quando você não era tão cheio de si. MAAAS, a carne é fraca e eu neeem me importo! Gato + cara de safado: bingo! Imagina uma coisa dessas cantando no seu ouvido com aquela voz maravilhosa: "The type of kisses where teeth collide..."


ALEXANDER SKARSGARD: Para quem não conhece, eu tenho o prazer de apresentar esse deus nórdico de apenas 1,94m (UM METRO E NOVENTA E QUATRO CENTÍMETROS) de pura sedução e testosterona. Olha o tamanho dessas pernas. Apenas isso. Clique aqui para um curso básico ministrado por Alex de como engravidar uma mulher em 15 segundos.


JAKE GYLLENHAAL: Como não amar Jakezinho? Os olhos azuis, esse sorriso maravilhoso, esse corpitchu... ai, ai. Ele é um dos pouquíssimos homens com muitos pelos no peito que eu faria. O que são uns pelinhos a mais quando se pode ganhar tudo isso, não é meshmo?


RYAN GOSLING: Oi? Não tem o que dizer. É mais forte que eu. É só ele me olhar que my body is ready.


[BÔNUS]

Eu fiquei tão emocionada com tantos boyss magias que fiz as contas erradas e separei 11 ao invés de 10 caras que eu faria. Mas tenho certeza que ninguém vai ficar triste com mais um, né? E eu não vou estar desperdiçando foto de boys não.


JÁN DURICA: Não, apesar de parecer, não é um novo galã de Hollywood. Se você não sabe quem é, precisa prestar mais atenção aos jogos que rolam durante as Copas do Mundo, queridinha! Ou, se for o caso, precisa prestar atenção ao que realmente importa nos jogos das Copas: os jogadoreeeeees. Este aí é um eslovaco esperto que dá o ar da sua graça nas competições mundiais. Para mim foi o jogador mais belo e bem apessoado da última Copa. Quando falo dele ninguém sabe do que eu tô falando, mas o seu nome estará gravado na minha memória para sempre. Beijo, Ján! MWAH!

terça-feira, 16 de abril de 2013

A história que a Morte contou


"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler." Eu parei. E fico muito feliz com isso. Descobri que a morte é uma contadora de histórias magnífica, capaz de se sensibilizar com a humanidade de uma forma bem própria - distante e caridosa. Deve ser porque ela tem experiência com a raça humana; a conhece tão bem porque a encontra cara-a-cara exatamente em seu momento mais vulnerável e descoberto. 

Vai ver é por isso que ela é tão sensível. Principalmente às cores. A narradora de A menina que roubava livros começa deixando clara a obtusidade das pessoas, que se negam a prestar atenção aos detalhes. De acordo com a Morte, as pessoas só "observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa". São poucas as pessoas que podem se agarram às coisas importantes da vida, sem deixar que as coisas não tão boas as suguem. A Morte se indigna com isso, pois até ela que não tem descanso é capaz de se revitalizar através de pedaços de histórias.

Ela, que vive para o trabalho e não tira férias, é uma narradora pertinente para uma história que se passa nos arredores da II Guerra Mundial. Dentre várias fábulas humanas que conhece, a ceifadora resolve nos contar uma que muito chamou sua atenção: a da menina Liesel Meminger. Uma alemãzinha que se vê levada até uma rua desconhecida, para morara com pais adotivos desconhecidos, em pleno ano de 1940, depois que sua mãe não tem mais condições de cuidar dela. Em sua nova casa, na Rua Himmel, Liesel encontra um pai que toca acordeão, uma mãe cujas palavras preferidas são saumensch (s.f.) e saukerl (s.m.), uma amizade de cabelos cor de limão, um judeu de cabelos de pena que vive em seu porão e uma biblioteca abastada onde pratica seu vício secreto: o furto de livros. 

O olhar da Morte caiu sobre Liesel pela atenção da menina para com os detalhes. Ela podia descrever (com precisão, nuances e a posição das nuvens) o céu para o seu amigo judeu que vivia no escuro do porão. Mesmo com o ambiente árido que a Guerra trazia consigo de limitações, horrores e marchas de judeus para campos de concentração, Liesel era capaz de se agarrar à vida avidamente, através dos grandes detalhes positivos. Um deles um amor que nasceu e foi crescendo tão naturalmente e sem aviso que no final já tinha passado por tanto e tudo que era real sem ter acontecido. 

O autor Markus Zusak é um contador de histórias tão bom quanto a Morte e suas palavras são brilhantemente costuradas. Ele usa os sentidos e as sensações como instrumentos de construção do mundo de Liesel. Ao ler é possível sentir, cheirar, ver, degustar. É possível cheirar com os olhos e ver com a boca. Num trecho em que discorre sobre o judeu no porão, é possível ler: "Só havia comido o gosto fétido de seu próprio hálito faminto (...)". Não acho que alguém mais é capaz de descrever a fome tão intensamente, com uma única frase. 

Ao nos fazer sentir através das palavras, Markus nos prova empiricamente que estava certo ao defender, no livro, o poder que as palavras têm. O Führer sabia muito bem como administrar as palavras, ele cresceu e chegou ao topo por causa delas. Moveu milhares de pessoas com seu discurso. Com o perdão da metáfora usada por Zusak, Hitler plantou as palavras-sementes em campos imensos, as regou e esperou que florescessem. Mas, ao mesmo tempo, as palavras salvaram Liesel. Ela as agarrou com toda a força que tinha e elas lhe deram esperança de um jeito que nada mais podia. A menina que roubava livros entendeu que as palavras podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal. Eram tão agridoces quanto sua vida, e ela as amava e odiava com a mesma intensidade.