segunda-feira, 19 de maio de 2014

Se é amor transborda

É tanto amor pra dar que não cabe em mim. Tenho que colocar pra fora. Faço isso de bom grado e com uma alegria que só o ato de servir é capaz de trazer. Não é como se eu conseguisse manter esse amor recluso dentro de mim, ele tem que sair. De outro modo, explodo em uma crise de nervosismo e ansiedade. Sou um ser social, apesar de não ser sociável. Mas no meu cerne está a convivência e a servidão para com os meus. 

Triste é ver as pessoas encararem, hoje em dia, a pura e simples servidão amorosa com estranheza. Isso vem a cada dia mais me assustando. Ninguém mais faz nada sem esperar retribuição. 

Posso dizer que faço não por me sentir superior, mas por não conhecer outro caminho. Esse é o meu caminho dos tijolos amarelos e por mais que ele me espanque, me decepcione e tire até sangue e felicidade de mim às vezes, eu estou atrelada a ele desde que nasci. Não consigo viver a indiferença, viver com indiferença. Não consigo não procurar saber, não insistir para um encontro, não ligar, não me doar. Não consigo não fazer tudo que está ao meu alcance para ver um sorriso no rosto dos meus amigos e amigas. 

E se, pelos acasos da vida, um amigo ou amiga perde esse sorriso eu não fico em paz. É como um cuco dentro da minha cabeça, que me lembra a intervalos regulares que uma parte de mim não está bem. Eu não consigo conviver com uma parte de mim doente desse jeito. Porque cada pessoa que me é cara é sim uma parte de mim. Uma parte indissociável de mim.  

Eu tenho que ir lá e fazer o que posso pra chamar de volta o sorriso que me acalma. Acaba sendo uma coisa meio egoísta. Mas se todos os egoísmos passassem pela servidão espontânea, acho que estaríamos muito melhores. 

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