quinta-feira, 14 de julho de 2011

CNH

Ah, o alívio! É o que eu sinto agora depois de, o que?, quatro meses de aulas teóricas e práticas pra me tornar confiável atrás de um volante. Também depois de uma manhã de estresse no Detran mais ou menos um mês atrás, reprovando na prova prática única e somente porque não olhei no retrovisor quando fui dar ré na baliza. Mas hoje cheguei lá às 8:30h, depois de uma viagem no carro da auto-escola ao som de Aviões do Forró, e só saí às 14:00h. Minha bunda já amassada de tanto ficar pregada na cadeira quando a amável mulher de coque e batom vermelho nos lábios escuros, e que chamava a gente de meu amor, chamou meu número: CFC Brilhante, número 5!

Minha perna tremia mais que uma britadeira em cima da embreagem, mas eu coloquei uma coisa na cabeça: hoje eu vou passar. No way que eu vou ter que vir aqui outra vez, desperdiçar mais cinco horas da minha vida! Então subi a rampa, parei, sem estancar dessa vez, segui caminho quando o mocinho lá me mandou ir em frente. Na fila da garagem eu ainda tinha uma britadeira no lugar da perna, mas fiz tudo bonitinho e entrei certinho entre os cones. Saí de lá rindo quando o examinador falava para a mulher parada no carro na garagem ao lado da minha: “Minha senhora, você sabe dar ré? Dê ré, vá!”

Fiquei meio sem saber o que fazer quando cheguei no semáforo e ele estava desligado. Resolvi ignorar os pensamentos sobre minha provável impotência de enxergar qual cor estava acesa e segui em frente. Depois do segundo e último semáforo, me dei conta que eles realmente estavam desligados. A próxima e derradeira prova seria a baliza, sim, a que eu reprovara da última vez. Apesar disso a britadeira não mais estava lá e minha perna tremia no máximo como quando tenho frio. Tinha certeza de que meu único erro fora não olhar no retrovisor, e assim fiz tudo tão bonitinho que o examinador nem me deixou finalizar a manobra, antes disso já dizia: “Brilhante, pode tirar o carro sem bater.” E depois de sair do carro eu estava tão alegre, tão aliviada, que quase dei um abraço nele. Senti que o obrigada não era suficiente. Também quase dei um abraço na senhora de batom vermelho que vai continuar chamando as pessoas para mais uma prova em suas vidas.

Também tenho vontade de dar um abraço no meu instrutor, Alexandre, com toda a sua calma e gentileza ao ensinar. Meu pai disse que iria levar um pão integral (dos que nós fazemos) para ele. Talvez eu vá dirigindo até lá lhe entregar o pão. Ah, mas isso só se for depois da minha primeira corrida como habilitada, que há muito prometi seria uma ida até a videolocadora mais próxima.

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