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sábado, 27 de abril de 2013

"God Bless America"

Eu não sei porque ainda me espanto com a estupidez norte-americana, porque, vamos combinar, existem poucas coisas mais recorrentes do que ela. Mas ficou tão comum, todo dia na mídia, que a maioria nem se importa mais. Isso quando percebem, porque a imprensa poderosa não ajuda nem um pouco a esclarecer nada. 

Eu não costumo assistir a TV, muito menos a Globo, por isso não posso dizer com certeza, mas, do pouco que vi sobre o atentado na maratona de Boston, que aconteceu no dia 15 desse mês, senti muita falta de explicações mais claras sobre o que aconteceu com os suspeitos. Basicamente o que se ouve falar é da super equipada, infalível e nobre caçada das forças policiais norte-americanas pelo suspeito ainda vivo, Dzhokhar Tsarnaev. 

Ontem aconteceu de eu ver uma matéria sobre o Twitter de Dzhokhar, que a inteligência americana havia descoberto e analisado. Corri e fui procurar, para tirar minhas próprias conclusões. Acontece que ele só falava de dormir, da faculdade, de dormir, de garotas e de drogas, com algumas piadas de mal gosto aqui e ali. Ele tava estudando pra ser dentista. Sério, acho que 70% de tudo que ele falava era que tava morrendo de sono e como dormir é bom. Fiquei abismada com as cotidianices e continuei lendo acho que até os tweets publicados em novembro do ano passado. Ele era até engraçado. Um tweet de dois dias depois do atentado foi: "I'm a stress free kind of guy" ("Sou o tipo de cara livre de stress").

Os amigos dele todos ficaram surpresos e só querem ouvir sua versão da história. Um deles inclusive, afirmou que não via Dzhokhar ficando com raiva de alguém, muito menos machucando alguém. Mas isso não se vê na mídia maniqueísta. Eu não estou aqui querendo defender os suspeitos, de maneira nenhuma. Acho que alguém que prepara bombas e as coloca em um lugar público, com certeza tem a intenção de machucar alguém e deve ser penalizado por isso. No dia do atentado, Dzhokhar escreveu um tweet em que dizia: "Ain't no love in the heart of the city, stay safe people." ("Não há amor no coração da cidade, fiquem seguros, pessoal.") 

Mas, logo que ele foi capturado eu pensei, "coitado, ficaria melhor se tivesse morrido com o irmão". Porque as forças policiais americanas são capazes de absolutamente tudo, coisas que ninguém fica sabendo, às vezes. Esse artigo da The New Yorker (que deveria ser lido por todos) diz muita coisa sobre a cultura de percepção norte-americana. Ele faz uma comparação, e imagina como essa história teria sido muito diferente se o atentado tivesse sido feito com armas de fogo. Nele, o autor John Cassidy diz (tradução minha):

"Coloque em um lugar público duas bombas rústicas artesanais, que parecem ter sido feitas com uma receita tirada da internet e o estado fará de você o Inimigo Público Número Um. Para assegurar que você seja pego e punido, virtualmente não há limites para as autoridades. (...) Uma vez pego, eles vão lhe interrogar no seu leito de hospital sem antes ler os seus direitos legais e depois lhe acusar de usar armas de destruição em massa. Se você não nasceu nesse país, haverá ainda conversas sobre mudanças nas leis de imigração."

Faltou falar das centenas de disparos feitos contra o esconderijo do suspeito (quando ele não portava se quer uma arma) que ainda não foram explicados. De novo, não estou, e John Cassidy também não, querendo defender os dois irmãos suspeitos. Apenas seria pertinente que as autoridades norte-americanas prestassem atenção no que estão fazendo e colocassem essa força imensa que é usada quando é de interesse deles em questões que, mesmo depois de Dzhokhar Tsarnaev ser julgado e condenado à pena de morte, ainda persistirão, como o controle do uso das armas de fogo.

O pior é que o pensamento da população anda de mãos dadas com essas ações. Só de ver as pessoas soltando ameaças a Deus e ao mundo e a festança que fizeram quando o último suspeito foi pego... é risível. A superioridade inunda a cabeça deles. Tudo isso pode ser definido por um comentário numa publicação no site do Washington Post com fotos do dia da captura (tradução e grifos meus): "Agora, todo o mundo sabe por quê os Estados Unidos da America é a terra dos livres e a casa dos bravos. Obrigada a toda a força policial, particularmente a polícia de Boston, o FBI, a CIA e os bravos bostonenses pela sua bravura em capturar o suspeito lunático. Esta é uma poderosa mensagem para al-Qaida e seus afiliados extremistas, que vocês irão ser capturados e trazidos à justiça. Deus abençoe a América."

Oi? 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A menina, a câmera e o guarda-roupa #15









 Vestido: Mainha Fez
Colar: emprestado da minha tia
Sapato: Arezzo (tem bem uns três anos)

Nesse momento minha cabeça está um emaranhado de sentimentos e ideias e suposições e tristezas e alegrias. A adolescência ainda deve estar em mim. Tenho uma vida maravilhosa: estudo na Universidade que todos querem, tenho casa, pais, família e amigos que amo, tenho um estágio, saio de vez em quando, fico em casa quando quero, não trabalho muito, não preciso sustentar família, posso juntar dinheiro pra viajar, enfim. Tudo o que eu desejaria e poderia pedir.

Mas, às vezes, me cai o sentimento que falta alguma coisa e a ansiedade me consome. Talvez pode ser até falta de problemas, como diria minha mãe. Está chegando o dia (que eu pensava e desejava que estivesse muito longe ainda) de acabar a faculdade e eu simplesmente não sei o que fazer. Meus planos de adiar isso por mais um ano parece que não vão vingar e eu vou ter que me redimir ao bom e velho TCC (que não tenho nem tema ainda, vale ressaltar). Mas isso é o de menos. O de mais é o que eu vou fazer quando acabar a faculdade. Não quero morrer de trabalhar, nem quero morrer de tédio fazendo uma coisa que não tenho vontade, mesmo que o dinheiro seja bom. Minha vontade mais urgente é mesmo abrir uma barraca de sucos em uma praia na Austrália e viver entre os surfistas de bem com a vida e com a natureza, fechando o negócio às 18h pra ainda dar tempo de dar um mergulho no mar.

Mas, ao mesmo tempo, eu sei o que eu quero, apesar de saber que não existe aqui perto de mim. O estranho é perceber que isso não me deixa pra baixo. A história de uma pessoa a milhares de quilômetros de mim me fez perceber que tudo chega, você pode ser o que quiser se persistir naquilo em que acredita. Vendo que Carrie conseguiu o que tanto sonhou depois de ficar muito tempo em um limbo, sem esperanças e sem saber o que fazer, me faz perceber que, mesmo que eu não veja agora, tudo o que eu quero pode estar muito perto de mim. E mesmo que esteja longe, se eu esticar o braço com toda a força e a vontade que eu tenho, posso alcançá-lo eventualmente.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Meu Carnaval 2013

O Bata no Antigo abrindo o Carnaval.
Isso é uma irmã aí que eu tenho.
Depois do Mangue.
Hey, hey - hey, hey, hey!
Tira lama!

Última saída do Batadoní em 2013.
Eu queria ter fotos mais variadas, porque essas somente não descrevem a riqueza, a loucura e a diversão que foi o meu Carnaval desse ano. Fiz como se deve e realmente aproveitei, só voltava para casa para dormir, isso quando voltava! Já no sábado quase pedi penico, meus pés, minhas pernas, meus joelhos e minhas costas doíam. Mas a gente arruma um jeito de esquecer tudo isso e continuar. Descansar só na quarta!

Na sexta toquei com o Batadoní no Recife Antigo e foi a coisa mais linda, quiçá a melhor tocada da minha vida. Todo mundo com roupinha igual, todos se arrepiando quando o estandarte surpresa foi descoberto. Uma energia de união e entrega muito boa. E não choveu! ÊÊÊ! Até aquele boy magia do Gabriel Braga Nunes veio nos ver e, me disseram, que ele só olhava pra mim. Eu não o vi, mas, como diria Seth Cohen, já estou no radar dele! hahahahaha

De manhã no sábado foi acordar cedo para ir para o tradicional bloco da lama Manguebeat. Eu acho que é uma das partes mais divertidas do Carnaval. A cara de todo mundo na rua quando a gente passa. Sem falar que todo mundo abre para não ter que encostar em nosotros. É uma maravilha! O grito de guerra desse ano foi uma paródia do grito oficial deles: "Ei, óia, boy magia é bóia!", que é muito melhor e promete muito mais do que "Ei, óia, maconheiro é bóia!". Vamos combinar, né? Depois teve a Troça Carnavalesca Futebolística Jornalística Cervejeira Unidos da Paulo Francis (não sei se tá certo, mas a ordem dos fatores não altera o resultado) com o povo da faculdade, que foi a bagunça de sempre, mas é assim que a gente gosta. O porta-estandarte, que nem é de jornalismo, deu até entrevista se passando pelo Presidente da Copa e da Troça. À noite fomos pro Antigo. A gente teve que andar da minha casa até casa de Nyna-uns 2,5 km, de acordo com o Google Maps-, depois da parada de ônibus na Avenida Mário Melo (de quem foi essa ideia idiota de colocar essa parada lá?) até o Antigo. Nem foi tão bom, mas é a vida. 

No outro dia tivemos que voltar da casa de Nyna para minha casa (outros 2,5 km a pé, coisa básica) para finalmente usar nossas fantasias no Enquanto Isso na Sala da Justiça. Apesar de ninguém ter percebido, a gente foi de Village People, que fique aqui registrado. Tomamos Caipfruta de Seu Nerino, claro, tradição desta vez bancada por Nyna. Mas tive que sair correndo, antes do bloco sair, para tocar no Tira Lama. Foi massa também, um calor dos infernos. Depois saí pra Olinda com Luiza e Vanessa. Fiquei em casa à noite porque não tinha quem me arrastasse para o Old Recife.

Segunda ficamos tirando onda  por Olinda com um megafone. Foi muito divertido, rimos bastante! Teve feijoada, que todas comeram. Terça o Batadoní tocou de novo e à tarde mais Olinda e mais diversão. À noite fomos pro Recife Antigo de novo, mais porque tudo já ia acabar do que por qualquer outra coisa. Mas perdemos o show de Mamelungos e tivemos que ver o de Caetano Veloszzzzzzzzzzz. 

Depois voltamos pra casa para dormir e de repente acordar na ingrata quarta-feira de cinzas. É triste, mas é a vida. Quem brincou, brincou, quem não aproveitou, só ano que vem!  

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Jornalismo da Depressão

Eu tenho TOC com texto não justificado. Essa ferramenta com as linhazinhas horizontais todas organizadinhas, uma em cima da outra é a mais bonita e a mais usada do meu Word. 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

“Um homem não demanda liberdade antecipadamente para falar algo que ele tem a dizer, mas ele se torna responsável depois pelas atrocidades que ele pode ter dito. Da mesma forma, se um homem faz a imprensa dizer coisas atrozes, ele se torna tão responsável por elas como se ele as tivesse dito pela boca.”

- Venício A. de Lima

segunda-feira, 6 de junho de 2011

CPF, trabalhos e livros.

Toda semana fico pensando em escrever aqui e acabo nunca escrevendo e acumulando um bocado de coisas. Mas vou tentar dar uma resumida.

Primeiramente, a CPF acabou. É triste, todo sábado vamos ficar pensando “Ah, bem que podia ter jogo e festa hoje, né?”. Ninguém mais vai ficar dando F5 no blog de hora em hora em busca de informações e fotos comprometedoras. Acabaram-se os jogos com as narrações fantásticas dos lances maravilhosos.

DPC 026 Concentração descontraída do DPC.

DSC_1042Eu, em toda minha glória, esperando pra bater o pênalti que perdi em seguida.

Mas vai ser bom ter minhas tardes de sábado de volta, pra assistir filmes, ler ou fazer o que der na telha. E também vai ser bom não voltar pra casa com a roupa e o cabelo fedendo (muito) a cigarro, e ter que colocar a roupa de molho no dia seguinte e lavar o cabelo três vezes seguidas. Dica para os fumantes mal educados: tá a fim de ficar fedendo e morrer? Faça sozinho! Ninguém é obrigado a ficar inalando sua fumaça nojenta em um ambiente FECHADO!

DSC_0618 Nós baphando ao som de Bad Romance no Paulo Francis Stadium.

Vai chegando o fim do semestre e os trabalhos vão jorrando sem controle, os estudantes que se virem pra dar conta de tudo. Essa semana que passou foi mal dormida, corrida e trabalhosa, mas no fim deu certo. Trabalho (imenso) sobre Harry Potter e as Teorias do Jornalismo terminado, apresentado e até sugerido para publicação pela professora! Yay!

Mas nem tudo são rosas. Ainda falta o artigo e a notinha reformulada de Psicologia, o seminário de Comunicação Comparada, o artigo opinativo/reportagem para Rádio e Tv de Ética, o pré-projeto reformulado de Métodos de Pesquisa e ainda o seminário de Economia (que o querido professor não fez o favor de nos informar sobre o que é, nem a data da apresentação). Boa sorte, Sara, você vai precisar.

Mas essa semana também foi aniversário de Thay! Na quarta eu, ela, Carol e Amanda fomos pro Recife Antigo (palmas pra mim que consegui ir de ônibus sozinha!) e almoçamos juntas no maravilhoso Delta. Também fomos na linda Livraria Cultura e eu comprei Um Dia de David Nicholls, que eu tava doida pra conseguir, e duas edições das novas DC+Aventura e Marvel+Aventura.

É impressionante, toda vez que eu piso naquela livraria saio de lá com milhares de novos livros desejados na cabeça. Pena é que o dinheiro e o tempo não aumentam assim também, não é verdade?

Mas chegando ao fim do resumo desses dias – que ficou menor do que eu esperava – tenho que dizer que o desfalque nas fotos desse post se deve a falta de cabo da minha câmera preta (porque aqui também tem uma rosa). Desde que ela voltou do concerto (acho que até antes disso), ninguém tem notícias desse cabo. Então as minhas lindas fotos ficam lá, armazenadas, à espera de um milagre.

That’s it!
Go get your happiness!
xx, Sara Brito.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A minha grama é sempre a melhor.

Chega a ser engraçado. Na verdade, é difícil de entender. O CAC é um lugar onde o que mais se presa é a liberdade, de ser você mesmo, de vestir o que quiser, de fazer o que quiser. É tipo um Woodstock fechado para caquianos no meio da UFPE (apresentações artísticas incluídas). O difícil de entender é como alunos de jornalismo, que se dizem tão comprometidos com os direitos alheios e reivindicam sua própria liberdade, falham em reconhecer as diferenças que estão presentes nas pessoas recém-chegadas desse mesmo curso. Os calouros mal chegaram e já são alvo de cíticas dos veteranos. Motivo: não quiseram (ou não se sentiram à vontade) dar uma festa para todos se conhecerem. Eles sinceramente apontaram na sua comunidade do orkut (que os veteranos também têm acesso) que estavam meio receosos com a efusividade e receptividade excessiva dos veteranos. Bastou. Logo depois já eram conhecidos como “empata-festa”, “puritanos”, “tediosos” e outras cositas mas. Os calourinhos foram ridicularizados quando deram a ideia de todos se reunirem em um rodízio. Uma polêmica se instalou. Ninguém quer calouros que não são porras loucas que só pensam em beber. Ninguém quer calouros que não se sentem à vontade em beber, cair e levantar no primeiro encontro com os seus companheiros de curso. Já vi nego respondendo quando indagado a respeito do paradeiro dos calouros: “Devem estar em algum culto por aí.” Aí é que tá a graça da história. Todos tem o direito (e dever) de beber o quanto quiser e avacalhar o sistema, mas ninguém tem o direito de ser mais recolhido e não gostar tanto de badalação. Resumindo: o SEU direito de fazer o que quiser é inalienável, agora já o dos outros… É, a palavra respeito deve estar mesmo meio enferrujada nos dicionários de algumas pessoas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A melhor profissão do mundo.

“(…)Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

- Gabriel García Marques.