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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

how it is

"which having sought in vain among the tins now one now another in obedience to the wish the image of the moment which when weary of seeking thus I could promise myself to seek again a little later when less weary a little less or try and banish from my thoughts saying true true think no more about it"

Eu fui ler Becket pra ver se parava de confundir ele com Brecht e me deparei com esse parágrafo, que é basicamente o que eu tô sentindo agora.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Histórico de leitura: A Guerra dos Tronos


Outro dia tava vendo o meu Skoob e esbarrei nos comentários que fiz durante a leitura de A Guerra dos Tronos, da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Achei bem legais; fiquei com aquela sensação engraçada de não ter sido eu que escrevi. E triste porque parei quando as coisas ficaram boas. 

47% (274 de 587)
"No começo eu gostava de Tyrion só um pouquinho, agora não mais. Não acredito em uma vírgula do que Lorde Baelish diz. Catelyn e Eddard são um amor."

51% (300 de 587)
"Eu adoro quando o ponto de vista é o de Sansa. Ela é diferente de todos, porque ela não vê a verdade, menos do que todos, por mais que esteja na cara dela. E ela é tão sonhadora; o capítulo do Torneio da Mão é fantástico - com todo o peso que essa palavra carrega. Acho que nenhum dos outros personagens poderia descrever o torneio com mais propriedade, e ao mesmo tempo com tanta ingenuidade. Porque o modo que ela vê o torneio é mais ou menos o modo que nós, habitantes do século XXI, e até a plebe do livro, vê o torneio."

64% (377 de 587)
"Arya não poderia ser mais diferente da irmã. Ela é uma fofa, corajosa e leal. Syrio Forel para Arya: 'O coração mente e a cabeça usa truques conosco, mas os olhos veem a verdade. Olhe com os olhos. Ouça com os ouvidos. Saboreie com a boca. Cheire com o nariz. Sinta com a pele. É então, depois, que chega o tempo de pensar e de, assim, conhecer a verdade.'"

67% (391 de 587)
"Acho que agora começam as batalhas."

terça-feira, 16 de abril de 2013

A história que a Morte contou


"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler." Eu parei. E fico muito feliz com isso. Descobri que a morte é uma contadora de histórias magnífica, capaz de se sensibilizar com a humanidade de uma forma bem própria - distante e caridosa. Deve ser porque ela tem experiência com a raça humana; a conhece tão bem porque a encontra cara-a-cara exatamente em seu momento mais vulnerável e descoberto. 

Vai ver é por isso que ela é tão sensível. Principalmente às cores. A narradora de A menina que roubava livros começa deixando clara a obtusidade das pessoas, que se negam a prestar atenção aos detalhes. De acordo com a Morte, as pessoas só "observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa". São poucas as pessoas que podem se agarram às coisas importantes da vida, sem deixar que as coisas não tão boas as suguem. A Morte se indigna com isso, pois até ela que não tem descanso é capaz de se revitalizar através de pedaços de histórias.

Ela, que vive para o trabalho e não tira férias, é uma narradora pertinente para uma história que se passa nos arredores da II Guerra Mundial. Dentre várias fábulas humanas que conhece, a ceifadora resolve nos contar uma que muito chamou sua atenção: a da menina Liesel Meminger. Uma alemãzinha que se vê levada até uma rua desconhecida, para morara com pais adotivos desconhecidos, em pleno ano de 1940, depois que sua mãe não tem mais condições de cuidar dela. Em sua nova casa, na Rua Himmel, Liesel encontra um pai que toca acordeão, uma mãe cujas palavras preferidas são saumensch (s.f.) e saukerl (s.m.), uma amizade de cabelos cor de limão, um judeu de cabelos de pena que vive em seu porão e uma biblioteca abastada onde pratica seu vício secreto: o furto de livros. 

O olhar da Morte caiu sobre Liesel pela atenção da menina para com os detalhes. Ela podia descrever (com precisão, nuances e a posição das nuvens) o céu para o seu amigo judeu que vivia no escuro do porão. Mesmo com o ambiente árido que a Guerra trazia consigo de limitações, horrores e marchas de judeus para campos de concentração, Liesel era capaz de se agarrar à vida avidamente, através dos grandes detalhes positivos. Um deles um amor que nasceu e foi crescendo tão naturalmente e sem aviso que no final já tinha passado por tanto e tudo que era real sem ter acontecido. 

O autor Markus Zusak é um contador de histórias tão bom quanto a Morte e suas palavras são brilhantemente costuradas. Ele usa os sentidos e as sensações como instrumentos de construção do mundo de Liesel. Ao ler é possível sentir, cheirar, ver, degustar. É possível cheirar com os olhos e ver com a boca. Num trecho em que discorre sobre o judeu no porão, é possível ler: "Só havia comido o gosto fétido de seu próprio hálito faminto (...)". Não acho que alguém mais é capaz de descrever a fome tão intensamente, com uma única frase. 

Ao nos fazer sentir através das palavras, Markus nos prova empiricamente que estava certo ao defender, no livro, o poder que as palavras têm. O Führer sabia muito bem como administrar as palavras, ele cresceu e chegou ao topo por causa delas. Moveu milhares de pessoas com seu discurso. Com o perdão da metáfora usada por Zusak, Hitler plantou as palavras-sementes em campos imensos, as regou e esperou que florescessem. Mas, ao mesmo tempo, as palavras salvaram Liesel. Ela as agarrou com toda a força que tinha e elas lhe deram esperança de um jeito que nada mais podia. A menina que roubava livros entendeu que as palavras podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal. Eram tão agridoces quanto sua vida, e ela as amava e odiava com a mesma intensidade.  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Primeiro Vlog

Primeiro comentário: COMO a pessoa faz um primeiro vídeo e sai tão estranha na foto que aparece?
Aí está a minha pessoa discursando com exclusividade (e sotaque). Relevem um pouquinho porque é o meu primeiro vídeo (como eu já disse) e eu não editei. Tive que pedir pra @CeciGFletcher colocar no youtube porque ela é ryca e tem GVT. Thanks a ela.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cookies and Tea!

Unearthly – Cynthia Hand

Unearthly Clara tem dezesseis anos e mora com a mãe e o adorável irmão mais novo, Jeffrey, na Califórnia. Sua mãe é uma Dimidius, filha de uma humana  e um anjo, o que faz de Clara uma Quartarius; resumindo: ela tem sangue angelical, asas incluídas.
Na mitologia de Unearthly cada pessoa com sangue de anjo correndo pelas veias tem um propósito na Terra, algo que foi predestinado à fazer. Entregar uma mensagem, dar um empurrãozinho em vidas alheias aqui ou ali, salvar alguém. O livro começa com uma das visões de Clara, visões essas que são o modo como cada propósito é entregue ao seu destinatário. Em suas visões Clara vê um lindo garoto de costas à sua espera no meio de uma floresta atacada por um incêndio (ui!) e junto com sua atenciosa mãe deduz que irá ter que salvá-lo. Seria lindo se ela não tivesse que empacotar todas as tralhas e se mudar pra Jackson, em Wyoming, onde, a partir de detalhes coletados de suas visões, ela descobre que é o lugar onde o boy misterioso se encontra.
Então, a primeira coisa que Clara dá de cara quando entra na sua nova escola é Christian, sua obsessão, o garoto que ela só conhecia em visões, pelas costas e de perfil. Passado o susto, Clara luta para se aproximar de Christian (que, por acaso, tem namorada, como todos os bons partidos soltos por aí e que não jogam no outro time) e se concentra em desvendar os quatro Q’s (quando, o quê, porquê e como) da sua visão. Enquanto isso faz amizade com a meiga Wendy e a misteriosa Angela, além de ter o irritante, porém charmoso, Tucker (irmão gêmeo de Wendy) pegando no seu pé durante as aulas.
No cenário bucólico de Jackson, Clara tenta aprender a voar com sua mãe, que vai ficando mais e mais misteriosa com o passar do tempo, evitando falar sobre anjos e propósitos.
Os sentimentos de Clara por Christian se mostram confusos, e fica difícil saber se o que ela quer é dar uns gets nele ou se sua relação é puramente “profissional”.
A escrita de Cynthia flui suavemente, com pitadas de comédia e aventura. Grande destaque para as aulas de História Inglesa ministradas pelo professor Erikson. O cara dividiu a sala entre as classes sociais em voga na Europa da Idade Média, tipo um sorteio pra saber se você será parte do clero, da nobreza ou da servidão eterna. How awesome is that?? E os estudante ainda podiam acusar uns aos outros de bruxaria e votar pra saber se o réu iria pra fogueira. Gênio.
Todo o livro é pincelado por essa criatividade de Hand e to top it off, há um final revelador e que pode desgostar as mais conservadoras. Unearthly é simples e sem muitas surpresas, mas os detalhes peculiares e as relações aconchegantes valem a leitura. Um adorável Chick-lit!

O livro saiu mês passado, então só tem em inglês, mas pra quem se interessou pode se jogar no 4shared comprar na internet. Aqui tá o blog da autora.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Cookies and Tea

A Tempestade, William Shakespeare

a tempestade

Depois de ser destronado pelo próprio irmão, Próspero é deixado para morrer no mar num frágil barquinho junto com sua filha, Miranda. Mas os dois conseguem se salvar e passam a viver nessa ilha desabitada, onde Próspero adquire certos poderes. Anos depois, a vingança o chama a desencadear uma tempestade que naufraga o navio onde seus traidores se encontravam e que os faz acabar também na ilha. Com a ajuda do espírito Ariel, Próspero dá continuidade à sua vingança, que não é daquelas sanguinárias de novela das 9, que fique claro. Apesar de envolver uma tempestade, não infringe grandes danos às vítimas, é mais um jogo psicológico e, no final, o perdão e a compreensão prevalecem.

Além de Ariel, Próspero também “controla” Calibán, seu servo deformado. Esses personagens podem lhe ser conhecidos, leitor. Eu lhe digo o por que. Ariel e Calibán foram usados por Álvares de Azevêdo, poeta romântico brasileiro, pra representar as duas personalidades que ele assume em seu Lira dos Vinte Anos. Ariel é a parte conformada e obediente e Calibán, o desaforo e a rebeldia; assim o poeta personificou a dualidade romântica.

Voltando ao livro… também tem romance! Miranda se apaixona (e é correspondida) por Fernando, filho de um dos traidores de seu pai. Como não poderia ser diferente, esse amor é perfeito e idealizado. Na segunda vez que se vêem Miranda e Fernando já juram amor eterno, mas da forma mais bonita e inspirada, através da escrita de Shakespeare. Essa lenda morta consegue transformar uma sentença comum sobre uma ação cotidiana em uma bela dança de palavras e metáforas tão agradáveis que lhe fazem lê-las e relê-las até que se façam inesquecíveis.

A Tempestade não é a melhor obra de Shakespeare, mas sendo dele, é muito melhor que muitas por aí. Escrita em 1611, foi a sua última peça e vai pros cinemas pelas mãos da diretora de Across the Universe em algum momento desse ano.