Colar: emprestado da minha tia
Sapato: Arezzo (tem bem uns três anos)
Toda semana fico pensando em escrever aqui e acabo nunca escrevendo e acumulando um bocado de coisas. Mas vou tentar dar uma resumida.
Primeiramente, a CPF acabou. É triste, todo sábado vamos ficar pensando “Ah, bem que podia ter jogo e festa hoje, né?”. Ninguém mais vai ficar dando F5 no blog de hora em hora em busca de informações e fotos comprometedoras. Acabaram-se os jogos com as narrações fantásticas dos lances maravilhosos.
Concentração descontraída do DPC.
Eu, em toda minha glória, esperando pra bater o pênalti que perdi em seguida.
Mas vai ser bom ter minhas tardes de sábado de volta, pra assistir filmes, ler ou fazer o que der na telha. E também vai ser bom não voltar pra casa com a roupa e o cabelo fedendo (muito) a cigarro, e ter que colocar a roupa de molho no dia seguinte e lavar o cabelo três vezes seguidas. Dica para os fumantes mal educados: tá a fim de ficar fedendo e morrer? Faça sozinho! Ninguém é obrigado a ficar inalando sua fumaça nojenta em um ambiente FECHADO!
Nós baphando ao som de Bad Romance no Paulo Francis Stadium.
Vai chegando o fim do semestre e os trabalhos vão jorrando sem controle, os estudantes que se virem pra dar conta de tudo. Essa semana que passou foi mal dormida, corrida e trabalhosa, mas no fim deu certo. Trabalho (imenso) sobre Harry Potter e as Teorias do Jornalismo terminado, apresentado e até sugerido para publicação pela professora! Yay!
Mas nem tudo são rosas. Ainda falta o artigo e a notinha reformulada de Psicologia, o seminário de Comunicação Comparada, o artigo opinativo/reportagem para Rádio e Tv de Ética, o pré-projeto reformulado de Métodos de Pesquisa e ainda o seminário de Economia (que o querido professor não fez o favor de nos informar sobre o que é, nem a data da apresentação). Boa sorte, Sara, você vai precisar.
Mas essa semana também foi aniversário de Thay! Na quarta eu, ela, Carol e Amanda fomos pro Recife Antigo (palmas pra mim que consegui ir de ônibus sozinha!) e almoçamos juntas no maravilhoso Delta. Também fomos na linda Livraria Cultura e eu comprei Um Dia de David Nicholls, que eu tava doida pra conseguir, e duas edições das novas DC+Aventura e Marvel+Aventura.
É impressionante, toda vez que eu piso naquela livraria saio de lá com milhares de novos livros desejados na cabeça. Pena é que o dinheiro e o tempo não aumentam assim também, não é verdade?
Mas chegando ao fim do resumo desses dias – que ficou menor do que eu esperava – tenho que dizer que o desfalque nas fotos desse post se deve a falta de cabo da minha câmera preta (porque aqui também tem uma rosa). Desde que ela voltou do concerto (acho que até antes disso), ninguém tem notícias desse cabo. Então as minhas lindas fotos ficam lá, armazenadas, à espera de um milagre.
That’s it!
Go get your happiness!
xx, Sara Brito.
Então, tem esse menino (na verdade ele já deve ter uns 21 anos, mas eu sempre chamo as pessoas do sexo oposto de “meninos”, a não ser que eles já tenham passado dos 30 ou tenham cara disso) lá no CAC. Acho que eu já tinha reparado nele desde o período passado, tinha achado ele bonito (ao contrário das meninas, como sempre). Acho que ele nem é tão bonito assim, mas ele tem um certo charme. 1) Ele é o que Carol chamaria de “alternativo”. 2) Ele não fuma. (Não posso afirmar isso com certeza, mas contando que ele estuda no CAC e lá as pessoas que fumam não tem a mínima vontade de esconder isso –pelo contrário-acho que estou certa.) 3) Eu já vi ele comendo salada de frutas. Não sei porque isso é um fato que eu considero importante, mas acho que tem a ver com ser mais ou menos o “oposto” do cigarro. 4) Quando anda ele rebola de uma maneira indescritível.
O fato é que ele não para de me olhar toda vez que a gente se encontra nos corredores. E não é só olhar tipo “você não é invisível, estou te vendo”-o que, de qualquer forma, já é um grande avanço nos dias de hoje-é um olhar tipo “não consigo tirar os olhos de você”. E eu não estou me achando linda ou gostosa demais. Não é coisa da minha cabeça, até Carol já percebeu. Sabe quando você olha pra uma pessoa até que uma parede atrapalhe sua visão, ou o ônibus saia andando e você perca a pessoa de vista? Desse jeito. Nem mesmo quando ele estava carregando uma caixa (que me pareceu bem pesada, por sinal) escada acima, ele desistiu de me perseguir com o olhar. Já cogitamos a possibilidade de ele ser gay, o que, de acordo com o medidor de homosexualidade de Carol, procede. Bem… isso até o momento que ela percebeu toda essa coisa dele com o olhar.
Alguns podem pensar que eu acho essa história muito interessante e tal, mas, na verdade, não. A coisa mais forte que eu sinto quando ele me olha é raiva. Meu filho, se não vai fazer contato, não olha como se quisesse me engravidar! Eu sou a pior pessoa com a qual você poderia fazer isso. Logo começo a bolar teorias sem sentido na minha cabeça. Como a de que você pode ter me achado atraente, ou (no caso de você ser gay) estar com inveja de toda a minha beleza estonteante. Mas, por mais que eu queira desvendar esse mistério, não posso fazer nada. Quer dizer, poder até posso, mas não vou. Não vou encostá-lo na parede e mandar um what’s your problem, embora essa seja a minha vontade mais forte e insistente.
Você passa a tarde assistindo aula, vendo casais de todos os tipos no maior amor, procurando um único hetero solteiro no CAC e no final do dia ainda é obrigado a presenciar o primeiro beijo de um casal super fofo enquanto espera seu pai vir lhe buscar no Senac.
FOREVER ALONE
Chega a ser engraçado. Na verdade, é difícil de entender. O CAC é um lugar onde o que mais se presa é a liberdade, de ser você mesmo, de vestir o que quiser, de fazer o que quiser. É tipo um Woodstock fechado para caquianos no meio da UFPE (apresentações artísticas incluídas). O difícil de entender é como alunos de jornalismo, que se dizem tão comprometidos com os direitos alheios e reivindicam sua própria liberdade, falham em reconhecer as diferenças que estão presentes nas pessoas recém-chegadas desse mesmo curso. Os calouros mal chegaram e já são alvo de cíticas dos veteranos. Motivo: não quiseram (ou não se sentiram à vontade) dar uma festa para todos se conhecerem. Eles sinceramente apontaram na sua comunidade do orkut (que os veteranos também têm acesso) que estavam meio receosos com a efusividade e receptividade excessiva dos veteranos. Bastou. Logo depois já eram conhecidos como “empata-festa”, “puritanos”, “tediosos” e outras cositas mas. Os calourinhos foram ridicularizados quando deram a ideia de todos se reunirem em um rodízio. Uma polêmica se instalou. Ninguém quer calouros que não são porras loucas que só pensam em beber. Ninguém quer calouros que não se sentem à vontade em beber, cair e levantar no primeiro encontro com os seus companheiros de curso. Já vi nego respondendo quando indagado a respeito do paradeiro dos calouros: “Devem estar em algum culto por aí.” Aí é que tá a graça da história. Todos tem o direito (e dever) de beber o quanto quiser e avacalhar o sistema, mas ninguém tem o direito de ser mais recolhido e não gostar tanto de badalação. Resumindo: o SEU direito de fazer o que quiser é inalienável, agora já o dos outros… É, a palavra respeito deve estar mesmo meio enferrujada nos dicionários de algumas pessoas.
Resolvi o que vou fazer com esse blog. Ele tá meio indefinido, ninguém sabe se é de fofoca, de lamentos ou opinião. Tinha resolvido há pouco tempo que seria de opinião, tinha até decidido o nome das sessões, mas acho que tem que ser ou uma coisa ou outra. Então a parte de resenhas vai ficar no WorldWideBy, que eu faço junto com Carol e Thay, e a parte pessoal permanecerá aqui.
Pra começar vou falar que não aguento mais ver WH- questions no curso de inglês. Já vi WH- questions na escola, já vi WH- questions no meu primeiro curso de inglês, já vi WH- questions na Cultura Inglesa. Eu não fiz um teste de nivelamento à toa, sabe? Eu deveria estar no próximo nível, mas não posso porque não tem vagas. Tá decidido; ou eu avanço para um nível onde não tenha que revisar jobs três vezes por semana depois de ter passado uma hora no ônibus da faculdade até o curso, ou eu saio dessa budega.
O primeiro dia de aula na faculdade foi lindo. Reencontrei as amigas queridas que eu tava com tanta saudade, conversamos, fofocamos sobre a vida alheia, tudo na mais perfeita. O CAC tá maravilhoso como sempre, cheio de pessoas loucas e estranhas, com um acréscimo: os calouros, que ainda não se habituaram à essa mistura de personas. Vi tanta gente nova! Por mais que eu não quisesse recomeçar as aulas, chegando lá descobri o quanto sentia falta daquilo tudo. Me peguei até assistindo aula com vontade, uma sensação de reconhecimento e conforto.
O meu medo é o retorno daquela sensação solitária de sempre, de que todo mundo tem alguém exceto eu. Na verdade ela já começou lentamente a se formar de novo dentro de mim. Eu tava tão bem nas férias, mergulhada na ficção e sem me preocupar com o depois. Mas bastou subir no ônibus, chegar na faculdade e ver todos aqueles casais enamorados ao meu redor que tudo voltou. Mas tentarei fechar os olhos diante deles, não quero repetir a agonia dos últimos dias do semestre passado.
Esse domingo fomos eu e a família no centro da cidade comprar os enfeites de Natal. Pegamos uma árvore maior (de um tamanho digno, porque a que tinha aqui batia no meu joelho), bolas douradas, enfeites que incluem: um boneco de neve esquiando, um urso vestido de Papai Noel, renas, anjos e estrelas. Fiquei chocada quando vi que o boneco mais lindo que eu tinha pego, e nem era tão grande assim, custavam CINQUENTA reais. Coloquei ele confortável de volta na prateleira para esperar o dia em que eu vou enriquecer. Teve também um Papai Noel atarracado que já está ao lado da televisão, na sala de estar.
Aproveitando a ida ao centro, compramos muitos enfeites também para nós. Brincos, anéis, colares (um daqueles com nome escrito em itálico-no caso, Peace-, e um com um pingente de leme), cinto preto com laço, diademas, duas flores para colocar no cabelo (assim eu posso imitar Vicky). Segunda as meninas vieram aqui, só faltou a Judd. E rimos como há muito tempo eu não ria. Também decidimos (enfim!) nossas fantasias pro carnaval do ano que vem. Gostei muito do tema, mas ainda não estou muito segura com a minha. Sei lá… não me vejo bem com uma roupa de malha apertada.
E ontem tava procurando receitas pra ceia de Natal daqui de casa. Achei umas típicas inglesas que me chamaram a atenção(cranberries sauce e bread sauce). Acho que vou tentar me aventurar com elas! E ainda achei um site que explica as principais tradições britânicas; agora já sei porque eles usam coroas de papel nas ceias e aniversários.
Agora tô indo terminar o artigo final de Português IV que estou fazendo com Carol. Acabaremos isso hoje e não se fala mais nisso!
Tipo hoje, logo depois que eu descobri que o que Mayr disse sobre o Quileute tava errado, a gente ficou em pé lá na frente do CAC, naquele jardinzinho que a gente senta e ele tava lá do outro lado do jardim. Não sei se tava me vendo, eu sei que eu tava vendo ele. E quando fomos embora e ele ficou lá, olhei pra trás, só pra vê-lo uma última vez no dia, e não o vi. O procurei com os olhos e vi que ele tava indo falar com a menina, que Mayr tava falando minutos antes, e minha imaginação já disparou, inventando motivos pra ele ter feito isso logo quando a gente saiu. Motivos como perguntar quem era aquela menina de blusa branca e trança.
Eu costumava adorar sextas-feiras. Contava os dias para elas chegarem e as aulas da semana finalmente terem seu fim. Ultimamente não mais. Ultimamente, quando chega sexta-feira, a esperança construída durante o último fim de semana e que veio sendo arrancada de mim durante toda a semana, pétala por pétala, dia após dia, finalmente acaba. A esperança de que algo mudará, de que alguém vai me reconhecer através da Capa da Invisibilidade que pareço vestir todos os dias, contra a vontade.
Tem um ciclo estranho essa esperança. Ela começa quando saio de casa pra ir à faculdade, na segunda. Se conserva no ônibus, vai desvanecendo quando chego ao meu destino e aquela Capa ainda me cobre. No ônibus de volta o dia termina, uma pétala da esperança foi arrancada à força, mas ela ainda está lá. Danificada, mas lá. E o meu pensamento no fim do dia é: há sempre o dia de amanhã. E assim a semana passa. A mesma coisa se repete na terça, na quarta, na quinta e a esperança vai sendo desnudada.
E a temida sexta aparece. O sentimento exagerado ao sair de casa, é agora ou nunca. E como sempre o nunca prevalece sobre o agora. As aulas do dia acabam e a Capa da Invisibilidade ainda está lá. As outras pessoas deixam a sala de aula em um fluxo contínuo, apressadas para chegar aos seus destinos animados, onde irão se divertir, socializar, onde sua esperança talvez dê frutos. E eu não quero ir embora. Faço hora, observando as pessoas, procurando algo em que me segurar para não ter que cedo à casa retornar e não encontrar o que fazer ao chegar lá. Mas não há nada que me prenda, ninguém para me segurar. Então eu cedo, despenco e pego o ônibus em direção a um final de semana cheio de estudo e sem diversão, onde a esperança da semana seguinte será ressuscitada porque, como dizem, é sempre ela a última a morrer.
Então, hoje é o primeiro dia das minhas mini-férias. Que vieram em uma hora muito boa, por sinal. Acho que faz umas duas semanas que eu não me dedico muito à faculdade. Esse tempo vai servir pra colocar tudo em ordem. Só vou ter aula agora dia 13/10, tudo isso por causa de um evento que vai ocorrer no meu prédio (da universidade) e todas as salas de comunicação serão ocupadas com ele. Vamos ver o que eu tenho pra fazer…
Vamos ver se eu consigo cortar pelo menos a maioria desses itens até dia 12. Apesar de ter acontecido uma bad pra complicar a minha vida. Eu, Thay e Flora tivemos um grande trabalho para tirar as fotos da cadeira de Introdução à Fotografia; fomos na Escola de Aprendizes de Marinheiro. Lá é tudo lindo, fomos muito bem recebidas e eu tava totalmente me sentindo em um quartel de um filme dos anos 40, ou no clipe de Candyman da Aguilera. Tiramos um filme de 36 poses. Depois da revelação só 14 fotos saíram. CATORZE. Isso não é nem o suficiente pra que a gente entregue ao professor! Falaremos com ele amanhã (vou ter que me deslocar daqui até a federal, mas tudo bem –_-). Mas o pior foi que nenhuma das fotos dos marinheiros saíram! Logo as que eu mais gostei.
Enfim, vou tentar começar a produzir alguma coisa. A minha primeira manhã das mini-férias foi desperdiçada mas eu ainda posso salvar a primeira tarde.
xx
Toda semana é a mesma coisa. Nas sextas largamos às 19h. Depois do cafezinho+brownie do intervalo, a efusividade começa a crescer, crescer, crescer. Ela não pode ser descarregada na aula. O professor é muito bom pra atrapalharmos seu trabalho. Então quando o ponteiro maior vai se aproximando do 12 e as sete chegam mais perto, as pessoas começam a sair da sala. Nossa efusividade finalmente pode ser liberada (em parte) nos corredores. E atinge o ponto alto no banheiro; quem está lá sai correndo. Mas não podemos passar toda a noite no banheiro. Então seguimos nosso caminho em direção à saída. Lá na frente muitas pessoas. Prontas para mais uma noite de diversão e socialização. Uma festa a alguns quilômetros dali, na verdade não sei se essa medida é certa, sei que se pode ir andando até lá. Ainda ficamos mais uma hora por ali, conversando sentadas, fazendo tudo com uma alegria invejável, tentando descarregar toda a animação que nos enche. Em vão. Chega a hora de ir. Mais uma semana se passou, e terminará do mesmo modo de sempre: a volta pra casa em um ônibus fatigado, individualista e silencioso. Com tudo que deveria ser solto, que é natural solto, mais belo solto - como um pássaro silvestre - , preso ali dentro.
Às vezes eu sou tão patética. Não tem nem mais graça escrever isso aqui. Acho que todos que lêem esse blog (alguém?) já sabe da minha pateticidade. Mas eu não consigo parar. Todo dia é a mesma coisa, acho que tá em mim e nunca vai passar.
Ver um menino bonito na rua, no ônibus, na faculdade, em qualquer lugar e passar o resto da semana do dia pensando nele. Como seria o primeiro encontro, nosso namoro, nosso casamento e etc. Tem coisa mais ridícula? Acho que não.
O pior é quando acontece como hoje. Depois do feriado todo em casa, só mergulhada no estudo ou na ficção, sem meninos para tirar minha atenção, conformada com minha condição de single-ladie-eterna, de repente recebo o impacto do mundo real. Uma pessoa que eu já tinha parado de me imaginar casando com ela me aparece mais irresistível que Damon Salvatore de jaqueta de couro. Ele deve saber o quanto me perturba. Só pode. A pessoa loira, de olhos azuis e parecida com Harry Judd, veste uma blusa xadrez, uma calça dobrada na canela (como se fosse pescar), um tênis igual a um que o Poynter tem e ainda me inventa de dá uma bagunçada nos cabelos à la Edward Cullen. Me diga se eu posso?
E pra girar a faca ainda mais fundo, toda vez que eu olhava pra ele, meu olhar encontrava com aqueles olhos azuis-cor-de-menu-do-windows. O que não faz muita diferença porque ele olha pra todo mundo. Mas, dá licença? Se não vai tirar proveito, pra quê atiçar? Aí fica Sara o resto do dia pensando na pessoa (que já tinha saído da cabeça dela) e lamentando. Se perguntando mais uma vez porque. Por que ela não pode ser the one.

