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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Popcorn and Coke.

Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go)

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No filme, baseado no livro de mesmo nome escrito por Kazuo Ishiguro, a impulsiva Ruth (Keira Knightly), a meiga Kathy (Carey Mulligan) e o peculiar Tommy (Andrew Garfield) são internos da casa (na falta de uma palavra melhor) Hailsham. As crianças crescem nessa mansão no interior da Inglaterra privadas do contato com o mundo externo, vivendo em um mundo padronizado e cru (acentuado aqui pelos tons neutros e escuros do interior de Hailsham, só contrastados com o verde do jardim). As crianças são lembradas de que são especiais mas que precisam andar na linha e se conformarem através dos discursos da Srta. Emily-que mais lembram They Don't Need No Education do Pink Floyd-e pelas histórias horríveis do que acontece com quem tenta cruzar os muros de Hailsham sem permissão.
O filme segue o ponto de vista de Kathy-e é narrado por ela em alguns momentos-e descobrimos juntos que todos os alunos de Hailsham, assim que estiverem maduros, se tornarão Doadores. Eles foram criados para doar seus órgãos, até que seu corpo não suporte mais, depois da terceira ou quarta operação. Aos 18 anos os três são transferidos para outra casa, mais perto da civilização e mais liberal.
Eu pude sentir a solidão de Kathy, à margem da relação de Tommy e Ruth-agora namorados. Kathy está sempre de fora, observando os gestos e as palavras do seu amor de infância. Apesar de já ter soltado muita informação, não vou contar muito mais do filme, senão estraga. Basta saber que a leveza e simplicidade da fotografia é aconchegante, a trilha é incrível e que a atuação do trio principal não deixa brecha para críticas. Keira faz uma confusa e cheia de si (mas nem por isso odiável) Ruth; Carey nos encanta com sua adorável Kathy; e Garfield nos mostra seu inocente e sincero Tommy.
O filme te leva a Imaginar como seria viver sabendo que não poderá realizar todos os seus sonhos, ou ao menos algum deles. Viver sabendo que em algum ponto muito próximo você não poderá responder pelo seu próprio corpo; ele não lhe pertence. A angústia de não ter esperanças.
Apesar do final não muito feliz, o filme todo é lindo a medida que nos apresenta o desenvolvimento dos personagens ao longo de suas vidas. Não Me Abandone Jamais tem o trunfo de nos deixar pensar por nós mesmos, nos permite completar as lacunas, sem abrir completamente o jogo.
A pergunta que ficou na minha cabeça no final foi: Será que os Doadores, mesmo sem a possibilidade de um futuro, conseguem aproveitar a vida melhor do que alguns de nós?

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“What I'm not sure about is if our lives has been so different from the lives of the people we save. We all complete. Maybe none of us really understand what we've lived through or feel we've had enough time.”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Popcorn and Coke

Onde Vivem os monstros

ondevivemosmonstros_3 Max é um garoto de oito anos com a imaginação a pleno vapor. Sua mão e sua irmã mais velha no entanto, parecem não encontrar tempo para suas histórias e invenções. Max então descobre um mundo novo, com criaturas desconhecidas que parecem lhe dispensar mais atenção que sua própria família e que o proclamam rei logo na sua chegada.

O visual do filme é belíssimo, junto com sua simplicidade. Os takes crus dos cenários naturais (florestas, oceano e deserto) desprendem uma sensação de imensidão e liberdade que ilustram o que o pequeno Max começa a viver com seus novos amigos. Os monstros, à exemplo dos humanos, têm, cada um, sua personalidade característica e diversa, e, por isso, não estão livres dos conflitos da convivência. Um deles, Carol, vê me Max um pacificador, o rei que pode fazer com que todos se dêem bem e parem de brigar. É aí que as coisas complicam para Max, quando ele não corresponde às expectativas de Carol.

A ilha onde os monstros vivem se mostra uma metáfora da alegria e inocência da infância. Ninguém precisa se alimentar ou se banhar, todos dormem amontoados em uma pilha e ao menos sinal de tristeza ou desentendimento tudo se resolve com uma guerra de lama. É essa simplicidade e despreocupação que cativa a atenção do público crescido; deve recordá-los como as coisas eram fáceis alguns anos atrás. É irônico portanto que meu primo de dez anos, que assistia ao meu lado, tenha soltado um “Eu acho esse filme muito besta.” Talvez seja verdade o que eles dizem, que a grama mais verde é sempre a do vizinho.

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Onde Vivem os Monstros é ingênuo e encantador, reflete as características da infância, mas lhe fará pensar em questões mais complicadas, como a convivência e o atropelo do mundo em que vivemos. Nos faz querer largar todas as preocupações e reviver a fase mais feliz da vida.